quinta-feira, 8 de novembro de 2012
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Crônica do que termina mas não se vai
Era uma quinta-feira tranquila, o céu estava azul e o sol estava quentinho, desejando bom dia àqueles que lhe sentiam. Foi quando de repente, em meio ao silêncio barulhento das maritacas, que uma ambulância cruza o estacionamento abaixo da minha janela do quarto, pedindo passagem aos carros estacionados, pois precisava socorrer alguém. Surpresa a minha que essa pessoa era uma senhora do meu bloco. Assim se deu a cena, uma ambulância que já preparava todos os aparelhos insistidores de vida, bombeiros desamarrando escadas e pés-de-cabra e mulheres histéricas que ecoavam em um pranto, talvez de fato humano, o desespero por uma senhora que até então não havia dado sinal de vida, não havia aberto as janelas e não atendia nem à porta nem ao interfone. Ela estava morta.
Após muita discussão e estratégias traçadas para que se decidisse a forma de socorre aquela senhora, agora companheira do inevitável fato da vida, um último contato foi tentado. Se fosse meia noite e a lua estivesse coberta por nuvens, esse seria um cenário de história de terror, mas não, era uma quinta-feira de manhã e tal qual a tranquilidade com que ela se iniciara, a senhora atendeu a porta de camisola e com cara de sono apenas disse: bom dia!
Após muita discussão e estratégias traçadas para que se decidisse a forma de socorre aquela senhora, agora companheira do inevitável fato da vida, um último contato foi tentado. Se fosse meia noite e a lua estivesse coberta por nuvens, esse seria um cenário de história de terror, mas não, era uma quinta-feira de manhã e tal qual a tranquilidade com que ela se iniciara, a senhora atendeu a porta de camisola e com cara de sono apenas disse: bom dia!
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Refração
E no fim das contas
Todo aquele sentimento que existia
Continuou existindo e se tornou
Parte necessária de ambos.
E agora num algum
vejo cruzar o restaurante
Seus olhos engraçados
Na fila do teatro, um outro
com seu jeito de andar
No braço de qualquer violão
Seu sorriso.
De tantas frações de você
Eu que se quer te conheço por inteiro
Tenho no fim da equação
Aquilo que me é verdadeiro.
Quando todas as palavras foram ditas
E quase todos os sentimentos
Aqueles que por agora nos são possíveis
Foram sentidos
Não há hora perdida que não valha sentir.
E na dúvida do certo e errado
quero mesmo é me deitar
nesse resultado
e saber que nossa luz é refração
de mil histórias pra se contar.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
terça-feira, 10 de abril de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
História d'água
E o outro, sentado no canto do quarto
rescindido ao seu corpo nu
olhava sobre a cama
um corpo quente e adormecido
donde da linha da barba brotava
a veia como um rio inteiro
descendo pescoço abaixo
invadindo o peito
norteado pelo risco da pele.
No pelo avesso
se via o sentimento minando
água viva, da fonte à foz.
Foi sob a pele líquida
que surgiu a dúvida talvegue se homem ou mulher.
E o outro, sentado no canto do quarto
ressentido em seu corpo nu
aguava seu peito no aguardo
do fim do tempo sem marca
de sua estiagem
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
O sol fez seu trabalho
Não havia mais palavras
Nem pensamentos ou esperança
Não havia mais de mim em ti
Nem eu, nem Maria, nem lembranças.
O outono chegou mais cedo esse ano
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