quinta-feira, 17 de maio de 2012
terça-feira, 10 de abril de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
História d'água
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
O sol fez seu trabalho
Não havia mais palavras
Nem pensamentos ou esperança
Não havia mais de mim em ti
Nem eu, nem Maria, nem lembranças.
O outono chegou mais cedo esse ano
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
A flor que restava
Debruçada no parapeito de barro, Miranda observava mais um dia, que escorria como se o tempo fosse passando e passado, ensopado na roupa do varal que não seca, Mirava e só.
Era uma moça de corpo fino, mas não elegante, tinha em uma das mãos a firmeza do campo e na outra a incapacidade de apontar, não era bonita, tinha as pernas duras e marcadas e nos pés apenas o chão que pisava. Da janela, via o tempo escorrer e no fundo do pensamento, sem saber que pensava, sentia injurias e arrependimentos alheios, arrependida da chuva que outros pediram. Enquanto seu pai, meio adormecido na cadeira vermelha da cozinha, resmungava a falta de milho da estação enchuvarada, a vó cutucando com um garfo o braseiro do fogão explicava “o povo perdeu tempo demais com reclamações erradas, agora aguenta o choro de Deus desgostoso do que fez”.
A cor de terra seca que Miranda tinha combinava com seus mirantes cor de flor de umburana, era coisa mais bela que tinha, era a única flor que havia sobrado no sertão, era a última esperança que ainda floria. E sorria, pois achava bonito de imaginar que os cobreiros estariam todos alagados e as rolinhas entediadas cambaleando num galho seco qualquer. Não tinha inocência, não era mais criança, mas sofria a dura tristeza de não ter algo que lhe fizesse mulher, era perdida em si mesmo, em seu tempo.
Debruçada no próprio peito, Miranda contava em gotas as batidas fracas e melosas de seu Roberto na vitrola, enquanto lá fora o Homem aprendia que seja o sertão seco ou rio corrido, que o milho nasce apenas em seu tempo correto.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
domingo, 14 de agosto de 2011
Eu já estava lá, diante os pinheiros, em frente a placa amarela
Da ultima curva da estrada
E me perdi diante o azul que se estendia na minha frente.
Então me diz quais os vestidos, quais os destinos
dependurados ao sol eu devo usar quando for te encontrar.
Eu que pintada de claridade, deitei sobre o asfalto escuro
me deixei levar pelas tuas trilhas, profundas e florais
Estou parada, a beira da estrada esperando você passar
Pra me dizer, quais caminhos me levam até você?
Me diz quais caminhos me levam até você?